Problemas de Arte Contemporânea - 2. semestre

Objectivos

a) Identificar questões filosóficas apresentadas e suscitadas pela criação artística contemporânea e sua articulação com o legado da tradição estética e filosófica.
b) Desenvolver a capacidade de relacionar o ‘mundo da arte’ com problemas teóricos ‘extra-artísticos’ do mundo contemporâneo.
c) Aprofundar a aptidão para discutir de modo crítico as propostas estéticas dos últimos cem anos.
d) Desenvolver a articulação escrita e oral da experiência estética de obras de arte contemporâneas e da sua relação com problemas teóricos.

Caracterização geral

Código

722031056

Créditos

10

Professor responsável

Maria João Mayer Branco

Horas

Semanais - 3 letivas + 1 tutorial

Totais - A disponibilizar brevemente

Idioma de ensino

Português

Pré-requisitos

Não aplicável.

Bibliografia

ARISTOTE, L’homme de génie et la mélancholie. Problème XXX, 1 (traduction,
présentation et notes de J. Pigeaud), Éditions Payot et Rivages, Paris, 2006
BENJAMIN, Walter, A origem do drama trágico alemão, Assírio e Alvim, Lisboa,
2004 (edição e tradução de João Barrento)
FREUD, Sigmund, « Deuil et mélancholie » in : Métapsychologie, Gallimard, Paris,
2016, pp. 145-171
NIETZSCHE, Friedrich, A gaia ciência, Obras escolhidas de Nietzsche vol. III, Círculo
de Leitores, Lisboa, 1996 (tradução de Maria Helena R. de Carvalho, Maria Leopoldina
de Almeida e Maria Encarnação Casquinho)
RADDEN, Jennifer, The Nature of Melancholy: From Aristotle to Kristeva, Oxford
University Press, 2002

Método de ensino

As duas primeiras sessões do curso serão dedicadas a uma introdução geral dos conteúdos programáticos e terão uma forma expositiva. Seguir-se-ão sessões em regime seminarial, consistindo na leitura e análise de textos filosóficos e seu confronto com uma seleccção de passagens escritas por artistas. Os alunos serão convidados a identificar e discutir a formulação de problemas da criação artística contemporânea com referência a questões filosóficas do nosso tempo e que, nas sessões subsequentes, encontrarão materializados num conjunto de obras do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

Método de avaliação

A avaliação será feita com base num trabalho escrito com cerca de 12 páginas (70%) e na assiduidade e participação oral na discussão ao longo das sessões (30%).

Conteúdo

A partir da leitura e discussão de textos de Rousseau, Kant, Schopenhauer, Nietzsche e Adorno, procurar-se-á esclarecer o estatuto que a música adquiriu na modernidade e o modo como ela constituiu, e constitui ainda hoje, um desafio para o pensamento filosófico e para a reflexão estética, com consequências sobre aquilo a que ainda hoje chamamos “arte”. Considerada quer como uma expressão humana deficiente, que “não deixa nada para pensar” (Kant), quer como a arte que melhor exprime a realidade (Schopenhauer), ou ainda como a arte que, mais estimulando o pensamento, também mais o ameaça (Nietzsche), a música continua a provocar o pensamento estético e artístico, continua provocar a filosofia, o seu incessante movimento de renovação e a sua impossível “sumarização” (Adorno), e a suscitar um intenso debate, cujas premissas se procurará elucidar partindo da pergunta geral: o que significa dizer que a música dá que pensar?