Antropologia da Saúde

Objectivos

Esta UC oferece uma introdução alargada para a Antropologia da Saúde, focada na aprendizagem interativa com contribuições significativas de alunos. Espera-se que estes desenvolveram competências de leitura e de avaliação crítica relativo a epistemologia, metodologia e prática da Antropologia da Saúde. Para melhor entender as principais características de sistemas de conhecimento e práticas biomédicas e não-alopáticas, estes vão-se inteirar de modelos explicativos de doença e mal-estar como são utilizados por populações em contextos ‘Ocidentais’ e ‘não-Ocidentais’. Por conseguinte, partilham-se perspetivas sobre as interações entre o global e o local, e as relações complexas entres estes, e entre agências e programas internacionais de saúde pública e epidemiologia, instituições nacionais e comunidades locais.
Esta UC partilha com os alunos as principais contribuições teóricas e metodológicas feitas pela Antropologia da Saúde, enquanto estes se inteiram das realidades no terreno através de estudos de caso e etnografias sobre tópicos associados as quatro dimensões temáticas (ver abaixo). A ênfase dos estudos de caso estará nos países e contexto da África subsaariana - mas também com referências a América Latina e a Ásia - em linha com a missão do IHMT, e os objetivos dos seus programas de ensino e investigação. Dado que uma parte significativa dos alunos são profissionais de saúde no ativo nos seus países de origem, estes são encorajados de partilhar as suas perspetivas e experiências sobre os tópicos sob discussão. Tempo considerável é alocado para debates nas aulas, no quadro dos diferentes módulos e temas, e nos estudos de caso, que por sua vez se baseiam nos artigos de leitura obrigatória) que são discutidos nas aulas e horas de contacto. Pede-se aos alunos de apresentar os seus trabalhos escritos num modo sucinto para testar os seus conhecimentos analíticas e metodológicas e as suas competências de comunicação.
Os alunos devem submeter um trabalho escrito e são encorajados de escolher um tópico (após consultar o docente), preferivelmente relacionado com o seu projeto de doutoramento, para ajuda-los de alargar a sua perspetiva e aprofundar a sua compreensão e análise dos aspetos qualitativos da matéria em questão.

Caracterização geral

Código

5788018

Créditos

3

Professor responsável

Philip Havik

Horas

Semanais - Se a UC for oferecida como opcional, o horário será disponibilizado no 2º semestre

Totais - 40

Idioma de ensino

Português

Pré-requisitos

Não se aplica

Bibliografia

• R. J. Prince and R. Marsland (eds), Making and Unmaking Public Health in Africa - Ethnographic and Historical Perspectives (Athens: Ohio University Press, 2014).
• M. Singer and H. Baer, Introducing Medical Anthropology (Lanham: AltaMira, 2012).
• P. Wenzel-Geissler and Catherine Molyneux (eds.) Evidence, Ethos and Experiment: the anthropology of medical research in Africa (New York: Berghahn, 2011).
• H-J. Dilger and U. Luig (eds.) Morality, Hope and Grief: anthropologies of AIDS in Africa (New York: Berghahn, 2010) .
• M. Lock and V-K. Nguyen, An Anthropology of Biomedicine (Oxford: Wiley-Blackwell, 2010).
• E. J. Sobo, Culture and Meaning in Health Services Research: a practical field guide (London: Routledge, 2009) .
• P. Erickson, Ethnomedicine (Long Grove: Waveland Press, 2008).
• M. Hammersly e P. Atkinson, Ethnography: Principles in Practice (Routledge, 2007).
• E. Uchôa e J-M. Vidal, Antropologia Médica: elementos conceituais e metodológicos para uma Abordagem da Saúde e da Doença, Cad. Saúd. Pública, 10, 4 (1994): 497-504.
• D. S. Simmons, The role of ethnography in STI and HIV/AIDS education and promotion with traditional healers in Zimbabwe, Health Promotion International, 26, 4 (2011): 476-482.
• L.V. Adams, et al., Barriers to tuberculosis care delivery among miners and their families in South Africa: an ethnographic study, International Journal of Tuberculosis and Lung Disease, 21,5 (2017): 571-578.
• A. Wilkinson, M. Parker, F. Martineau e M. Leach, Engaging ‘communities’: anthropological insights from the West African Ebola epidemic, Phil. Trans. R. Soc., B 372 (2017): 20160305.
• C.I.R. Chandler, C. Jones, G. Boniface, K. Juma, H. Reyburn e C.J.M. Whitty, Guidelines and mindlines: why do clinical staff over-diagnose malaria in Tanzania? A qualitative study, Malaria Journal, 7, 53 (2008): 53.

Método de ensino

Os métodos de ensino empregues nesta UC são Apresentações de PowerPoint – e onde for preciso a projeção de vídeos curtos – para o contacto direto nas aulas. A estrutura da UC e os PPs para os diferentes módulos são disponibilizados aos alunos através da plataforma MOODLE do IHMT. Além disso, os módulos estão associados com artigos de leitura obrigatória, oferecendo informação devidamente contextualizada. Por meio da leitura dos artigos em questão, que são debatidos nas aulas, os alunos são instruídas de dedicar-se a leitura crítica. Os tutoriais lhes permite de resolver dúvidas sobre certas questões, e de lhes assistir na escolha de um tema para o seu trabalho escrito e com a sua pesquisa. Apresentações curtas pelos alunos dos seus trabalhos servem pois para debatê-los nas aulas, com comentários do docente. Os alunos são incentivados de escrever os seus trabalhos como artigos científicos, de acordo com o formato das ciências naturais ou aquele praticado nas ciências sociais, para promover a escrita científica.

Método de avaliação

A avaliação dos alunos é baseado no trabalho escrito submetido (75%) e a sua apresentação nas aulas (25%).

Conteúdo

O ensino é estruturado consoante as quatro dimensões temáticas da Antropologia da Saúde, nomeadamente a Etnomedicina, a Antropologia Médica Crítica, a Epidemiologia Cultural e a Antropologia Médica Clínica. Os módulos se prendem com aspetos metodológicos, epistemológicos e práticos da Antropologia da Saúde, no sentido mais lato, realçando as principais contribuições e debates na disciplina num modo temático e diacrónico para facilitar a compreensão da evolução nesta área científica ao longo do tempo.
O programa curricular assinala os aspetos sociais e culturais da doença e mal-estar, as perceções e experiências relativo a doença, mal-estar, sofrimento, cuidados e a vida diária como um processo dinâmico, como também as perceções e experiências de profissionais biomédicos e da medicina tradicional, o diagnóstico e tratamento que prescrevem, e as suas interações com pacientes tomando em conta os seus perfis socioculturais. A questão da equidade, disparidade e literacia em saúde, o comportamento de procura de cuidados, os determinantes socioculturais da saúde, a pluralismo médico e a cidadania da saúde são também abordados. Mais atenção é também dada as forças históricas, sociais, políticas e económicos que moldam padrões de doença, morbidade e mortalidade nas sociedades, com uma ênfase nos contextos de baixa renda, e o continente Africano em particular.
Atenção especial é dada ao impacto de grandes campanhas internacionais de controlo e erradicação de doença (por ex. contra malária, varíola, poliomielite, tuberculose, DSTs, HIV-SIDA, Ébola, SARS, Gripe das Aves, etc.) e programas (por ex. contra Doenças Tropicais Negligenciadas/NTDs), além de diferentes tipos de cuidados (por ex. Cuidados Primários, Saúde Comunitária, Cuidados Culturalmente Congruentes, Medicina Integrativa, etc.), a sua transposição em contextos nacionais e o seu impacto sobre populações vulneráveis e marginalizados. Estes tópicos são também discutidos contra o pano de fundo do paradigma de Saúde Global e o cumprimento dos MDGs e SDGs em intervenções na área da saúde pública e epidemiologia.