História do Sistema Científico em Portugal e na Europa
Objetivos
Pretendemos com este curso proporcionar uma leitura histórica sobre o processo de construção do sistema científico, em Portugal e na Europa. O desenvolvimento de processos institucionais foi cedo acompanhado por um intenso debate de ideais e visões distintas quanto à missão da Universidade e da Ciência para o desenvolvimento. Os contextos históricos e internacionais condicionaram também os percursos nacionais. Por outro, a intensa produção teórica de modelos de organização institucional, numa crescente ótica sistémica, bem como a crescente disseminação de policy-oriented ‘frameworks’ marcaram profundamente a formulação das políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação, a partir da segunda metade do século passado e desde os anos 1990 em particular. Em Portugal, a crescente influência do financiamento europeu também acabou determinando a inexorável orientação a um mimetismo das boas práticas, o que implicou certa hegemonização do conceito sistémico da política científica, subsumindo inclusive alguns temas tradicionais da organização da Ciência às questões do financiamento e aos imperativos das políticas comunitárias. De qualquer forma, o crescimento do sistema científico português é indiscutível, bem como a sua progressiva inserção em âmbitos internacionais.
Caracterização geral
Código
02100167
Créditos
10.0
Professor responsável
Tiago Brandão Mascarenhas de Azevedo
Horas
Semanais - 3
Totais - 280
Idioma de ensino
Português
Pré-requisitos
A disponibilizar brevemente
Bibliografia
- AA.VV (2014). Dicionário de História da I República e do Republicanismo, coord. por Maria Fernanda Rollo, 3 vols. Lisboa: Divisão de Edições da Assembleia da República, 2014. (verbetes: Organização da Ciência e da Investigação; Instituições Científicas; Ciência e Técnica, Congressos e Exposições; Augusto Pires Celestino da Costa; Universidade Popular)
- BAGATTOLLI, C.; T. BRANDÃO, A. DAVYT, C. M. NUPIA, M. SALAZAR, e M. VERSINO (2016). “Relaciones entre científicos, organismos internacionales y gobiernos en la definición de las Políticas de Ciencia, Tecnología e Innovación en Iberoamérica”, in Mirada Iberoamericana a las Políticas de Ciencia, Tecnología e Innovación. Perspectivas Comparadas, coord. por Rosalba Casas & Alexis Mercado, CYTED / CLACSO, Madrid, pp. 187-219.
- BRANDÃO, T.; M. F: ROLLO, e M. I. QUEIROZ (2019). “Revisitando a história da organização da Ciência: Agências de política científica em perspectiva comparada”, Revista Tecnologia e Sociedade, v. 15, n. 35, jan./abr., pp. 212-246.
- BRANDÃO, T. (2017). “A emergência da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (1967-1974): receção de um modelo e racionalidades tecnocratas”, Análise Social, n.º 223, LII (2.º), pp. 234-279.
- BRANDÃO, T. (2016). “Shaping Portuguese science policy for the European horizon: The discourses of technological change”, Technological Forecasting & Technical Change, 113 – Special Issue “Technical Change in Iberia”, Edited by Manuel V. Heitor and Hugo Horta, pp. 168-184.
- BRANDÃO, T. (2015). “Caminhos históricos da política científica portuguesa. Da matriz republicana à Revolução de Abril (1910-1976)”, in CES Contexto – Debates, Julho, n.º 11 – Olhares sobre o século XX português – VIII e IX Ciclos Anuais de Jovens Cientistas Sociais, pp. 102-137.
- BRANDÃO, T. (2015). “The European Ideal of a University: Portugal’s Views from 1950s and 1960s”, Journal of Educational
- Administration and History, Vol. 47, No. 1, pp. 40-67.
- BRANDÃO, T. (2015). “A formação da JNICT e a política científica no período pós-Abril”, in 40 Anos de Políticas de Ciência e de Ensino Superior, org. por Maria de Lurdes Rodrigues e Manuel Heitor. Coimbra: Almedina, 2015, pp. 187-234.
- BRANDÃO, T. (2014). “A representação da Ciência no discurso político do Estado Novo”, in O Eterno Retorno. Estudos de homenagem a António Reis, coord. por Maria Inácia Rezola e Pedro Aires Oliveira. Lisboa: Campo da Comunicação, Assembleia da República, pp. 545-561.
- BRANDÃO, T. (2012). “Portugal e o Programa de Ciência da OTAN (1958-1974). Episódios de história da ‘política científica nacional’, Relações Internacionais, setembro, n.º 35, pp. 81-101.
- BRANDÃO, T. (2017 [2012]). Da organização da Ciência à política científica em Portugal (1910-1974). A emergência da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica. Lisboa: Caleidoscópio. Publicação da sua Tese de Doutoramento intitulada A Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (1967-1974). Organização da ciência e política científica em Portugal, Universidade Nova de Lisboa, 2012.
Método de ensino
Aulas teórico-práticas: apresentação e discussão dos vários tópicos do programa.
Reflexão e discussão sobre textos selecionados ou casos práticos reais.
Preparação de apresentações orais sobre temas específicos, com supervisão do docente.
Método de avaliação
Métodos de Avaliação - Intervenções orais em debate nas aulas teórico-práticas.(50%), Trabalho, na forma de um artigo de investigação.(50%)
Conteúdo
1. A Universidade, a República da Ciência e o ethos do cientista;
2. Instituições científicas e a emergência do ‘sistema externo da ciência’;
3. ‘Frameworks’, modelos e perspetiva sistémica;
4. O conceito de Sistema Nacional de Inovação (SNI);
5. A organização da Ciência na Europa:
5.1. O caso espanhol: Santiago Ramón y Cajal e a JAE – Junta para Ampliación de Estudios;
5.2. O caso francês: o período da Frente Popular e a criação do CNRS;
5.3. Outros casos nacionais: EUA, Reino Unido, Bélgica, etc..
6. Os primórdios da organização da Ciência em Portugal:
6.1. O ideário republicano e os antecedentes da Junta de Educação Nacional (1929);
6.2. A atuação da Junta de Educação Nacional;
6.3. O Instituto de Alta Cultura.
7. Do Plano Marshall à OCDE: a génese da política científica moderna;
8. O debate da coordenação e a criação da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica em Portugal;
9. O ‘ocedeismo’ e a construção dos repositórios estatísticos de CT&I – Ciência, Tecnologia e Inovação;
10. A ‘europeização’ da política científica: fundos estruturais e o financiamento à CT&I;
11. As novas ‘frameworks’ da política científica: da ‘produção do conhecimento’ à ‘ciência aberta’;
12. O ‘inovacionismo’ contemporâneo e os desafios das políticas científicas.
Cursos
Cursos onde a unidade curricular é leccionada: