Tópicos de Teoria da Literatura
Objetivos
1) Apresentar os estudantes a textos, questões e conceitos fundamentais da Teoria da Literatura, numa perspectiva temática e monográfica, para que se familiarizem com expectativas de uma investigação autónoma;
(2) alargar e sofisticar o seu vocabulário crítico e filosófico, assim como as suas capacidades críticas;
(3) assegurar que compreendem não apenas as questões conceptuais em jogo a cada momento do curso, mas também as afinidades conceptuais e históricas entre diferentes tópicos;
(4) assegurar que os conhecimentos adquiridos possam ser traduzidos para uma escrita clara, coerente, rigorosa e relevante.
Caracterização geral
Código
722091106
Créditos
10.0
Professor responsável
Humberto Carlos Catita Palma Brito
Horas
Semanais - 3
Totais - 280
Idioma de ensino
Português
Pré-requisitos
N/A
Bibliografia
- De Man, Paul. O Ponto de Vista da Cegueira. Trad. M. Tamen, Braga, Coimbra e Lisboa: Cotovia & Angelus Novus, 1999. _, The Rhetoric of Romanticism, NY: Columbia University Press, 1984, 67-82. Feijó, António M. Uma Admiração Pastoril Pelo Diabo, Lisboa: INCM, 2015
- Baudelaire, C. A Invenção da Modernidade. Trad. P. Tamen. Lisboa, Relógio D’Água, 2006. Pessoa, Fernando. Crítica. Ensaios, Artigos e Entrevistas. Cabral Martins (ed.), Lisboa: Assírio & Alvim, 1999; _, Teoria da Heteronímia. F. Cabral Martins e R. Zenith (eds.), Lisboa: Assírio & Alvim, 2012.
- Pippin, R. Modernism as a Philosophical Problem, Wiley-Blackwell, 1999 Rorty, R. Contingência, Ironia e Solidariedade, Lisboa: Editorial Presença, 1994
- Tagg, J. Walker Evans's Resistance to Meaning. Narrative, Jan., 2003, Vol. 11, No. 1 (Jan., 2003), pp. 3-77. Wittgenstein, L. Culture and Value. G.H von Wright (ed.) Chicago: University of Chicago Press, 1984. Wordsworth, W. Poemas Escolhidos. Trad. Daniel Jonas. Lisboa: Assírio & Alvim,
Método de ensino
O modelo pedagógico para esta unidade curricular combina uma abordagem tradicional (aulas expositivas) com outros métodos e recursos de ensino e aprendizagem, procurando incentivar uma participação activa dos estudantes com o objectivo de neles despertar uma compreensão crítica dos tópicos discutidos em aula e uma capacidade autónoma de elaboração téorica e argumentativa a partir dos vocabulários e metodologias da teoria literária. Todas as aulas têm uma componente expositiva, sempre a partir de textos concretos, tipicamente, ensaios fundamentais sobre cada um dos tópicos (leituras ‘primárias’), assim como um conjunto de exemplos auxiliares, que vai sendo ajustado consoante as necessidades de aprendizagem específicas de cada grupo de pessoas e cada contexto. (Sempre que útil e necessário, estes materiais complementares procurarão um diálogo próximo com o universo de referências dos estudantes, procurando redescrever tais referências de um modo que os orienta na direcção de uma compreensão gradual de temas e conteúdos mais complexos, ou com maior amplitude histórica e conceptual.) A faceta expositiva nunca perderá de vista a construção de um vocabulário comum através de interpelações constantes e da criação de um ambiente seguro para um diálogo do professor com os estudantes e para um debate dos estudantes entre si, focado em temas e problemas que emergem directa e indirecta dos conteúdos programáticos. Todas as aulas começam com uma breve recapitulação (10-15 minutos) das questões anteriormente expostas e discutidas, assim como das conclusões aduzidas ao longo de ciclos de aulas. Segue-se um panorama sinóptico dos problemas a tratar na aula presente e, organicamente, sempre que possível a partir de respostas de estudantes a interpelações do docente, ou a partir de breves exposições (por exemplo, resumos de leituras) que lhes são directamente solicitados, quer individualmente, quer em grupo, avançamos para uma componente expositiva mais detalhada, aberta, a cada momento, à participação dos estudantes. Cada aula procura assim tornar-se um ambiente vivo e estimulante de interacção intelectual, por via do qual os estudantes vêm a ser capazes não só de aprender novos ‘conteúdos’ mas sobretudo de integrar o que aprendem em Teoria da Literatura nas suas outras esferas de interesse académico, assim como nas suas perspectivas críticas do presente extra-académico
Método de avaliação
Avaliação continua - Discussão na sala de aula (20%), Ensaio final (80%)
Conteúdo
1. O apelo do comum e da modernidade:o ‘documentário lírico’ e o inquérito ao presente enquanto atitude artística; a estrutura epistemológica desta atitude.
2. Romantismo e anti-autoconsciência; a projecção do ‘eu’ na paisagem: de Lyrical Ballads (Wordsworth e Coleridge) a Democratic Forest (Eggleston). A interiorização da paisagem e a perda da natureza.
3. A representação do presente (Baudelaire).
3. O comum com singularidade: transcendência e a produção de estranhamento do comum (Pessoa, Shklovsky, Schlegel, Kierkegaard, Adorno).
4. O estilo como fisionomia literária (Buffon, Schlegel, Wittgenstein) vs. o desiderato da não-subjectividade (Flaubert, Pessoa, Eliot, Evans).
4.1 Autobiografia como desfiguração (de Man).
5. A ideia de realismo melancólico (Tagg).
5. Problematização a partir exemplos da tradição literária portuguesa (Cesário Verde, Alberto Caeiro, Raul Brandão, Alexandre O’Neill, Adília Lopes, et. al.).
Cursos
Cursos onde a unidade curricular é leccionada: